autoria de António João Maia
Para que uma estratégia de prevenção relativamente a um qualquer problema tenha o mínimo de êxito, importa que previamente os estrategas conheçam ao menos os principais traços caracterizadores do problema que pretendem evitar ou reduzir, sob pena de incorrerem no risco de implementar um plano (com os necessários custos associados) totalmente ineficaz.
O mesmo sucede naturalmente em relação ao problema da fraude. Haverá primeiro que identificar as suas características, para depois definir e por em marcha um plano para o anular ou pelo menos reduzir.
Relativamente aos factores que em abstracto caracterizam o contexto de ocorrência de uma qualquer fraude, e que, independentemente das características próprias de cada organização, importará que se tenham em consideração aquando da definição de estratégias preventivas, parece-nos importante que se considerem os três componentes identificados por Donald Cressey há mais de cinquenta anos, no que denominou como o modelo do triangulo da fraude (1953, "Other People´s Money: A Study in the Social Psychology of Embezzlement", Glencoe, Free Press, Illinois).
De acordo com o referido modelo teórico, a prática de um acto de natureza fraudulenta é sempre antecedida de um processo de decisão por parte do respectivo autor e cujo sentido parece derivar da avaliação que faz sobre determinados aspectos que contextualizam o seu "aqui e agora". Trata-se afinal de uma espécie de equação, cujo resultado depende das três variáveis que a integram e que são:
· A Pressão, própria da sua vida particular, nomeadamente da que resulte de urgentes necessidades de liquidez financeira, incluindo-se aqui, a título de exemplo, a existência de dívidas, hábitos de jogo e, ou de consumos (de álcool, de drogas ou até de outro tipo de substâncias). Por outro lado, esta pressão pode resultar também de simples "necessidades" relacionadas com a ostentação de determinados símbolos, associados à posse de certos objectos (como automóveis, roupas, perfumes, etc.), que façam o sujeito sentir-se integrado no grupo social com o qual se revê. Em qualquer dos casos, a pressão resulta de uma necessidade premente de alcançar dinheiro ou bens de natureza material com valor, a fim de solucionar um problema (no primeiro caso), ou simplesmente para aumentar as disponibilidades financeiras (os dividendos resultantes da prática do acto adicionam-se às receitas normais da sua actividade profissional) para poder aceder à posse de tais símbolos de integração social (no segundo caso);
· A Racionalização, entendida como a capacidade que o sujeito possui para racionalizar (interpretar e correlacionar) os diversos dados que possui sobre a realidade que o rodeia, e cujo somatório, entre eventuais perdas (riscos de poder vir a ser detectado e punido) e ganhos (os dividendos resultantes do acto fraudulento) o levam a decidir-se ou não pela prática do acto. Entre estes elementos encontramos muitas vezes aspectos associados ao facto de a acção fraudulenta não deixar vítimas individualizáveis (ninguém ficará lesado com a sua ocorrência); aos (maus) exemplos vindos de outros colegas, a quem se ouviu relatar, ou mesmo se presenciou a prática de actos semelhantes; à existência de discursos sociais associados à ineficácia das instâncias de punição e consequentemente a sentimentos de impunidade (por um lado, a organização dificilmente detecta as acções fraudulentas praticadas e portanto a justiça não as pode punir, e, por outro lado, nos casos detectados parece não haver notícia da respectiva punição); e também a notícias frequentemente divulgadas pelos media de actos fraudulentos bem mais graves praticados por destacadas figuras do sociedade, sem que haja notícia das correspondentes punições;
· A Oportunidade para a prática de um acto de natureza fraudulenta.
Não sabemos, nem o autor se pronunciou, sobre se alguma das três variáveis se apresenta mais preponderante relativamente às demais no que respeita ao resultado final do processo de tomada de decisão para se praticar ou não um acto fraudulento.
No entanto e apesar de as organizações disporem sempre de alguma informação de carácter informal acerca dos contextos que enquadram a vivência privada daqueles que nelas exercem funções (factor que por si só não é necessariamente preditivo da ocorrência das denominadas práticas de fraude ocupacional - praticadas por funcionários sobre as organizações onde exercem funções), parece sobretudo importante que as estratégias de prevenção deste tipo de ocorrências sejam traçadas em função do factor Oportunidade.
Independentemente dos contextos de vivência de cada sujeito, factores que, apesar de poderem ser conhecidos, as organizações não conseguem alterar ou controlar, importará que previamente se identifiquem e caracterizem as oportunidades (incluindo as hipotéticas) para a ocorrência de práticas fraudulentas, pois só a partir de tais elementos parece possível a concepção e implementação de uma qualquer estratégia para a prevenção da sua ocorrência.
fonte: http://visao.sapo.pt/a-prevencao-da-fraude=f530261
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Fraudes: Me engana que eu gosto
A suspeita de fraude sempre rondou os fenômenos ditos paranormais. Algumas histórias causaram comoção em suas épocas, antes de serem desmascaradas. Um dos episódios mais célebres foi um verdadeiro ou melhor, um fictício conto de fadas e envolveu duas meninas inglesas, Elsie Wright, de 16 anos, e sua prima Frances Griffiths, de 10. Em 1917, elas garantiram ter visto pequenas fadas, com 10 centímetros de altura, em um lugarejo chamado Cottingley Glen, pequeno pântano cercado de árvores, onde costumavam brincar. Contaram a história ao pai de Elsie, que não acreditou. As meninas resolveram, então, pegar emprestada a câmera fotográfica dele e provar com fotografias.
Elas obtiveram duas imagens. A primeira mostrava um grupo de pequenas mulheres com asas de borboleta dançando à frente de Frances. Na outra, era Elsie quem brincava com um gnomo. A história correu o país e ganhou um defensor famoso: o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Espiritualista fanático, ele não hesitou em tratar as aparições das fadas como autênticas, ignorando falhas evidentes nas imagens. A primeira foto, por exemplo, mostra quatro fadas dançando e tocando flautas. No fundo aparece uma cachoeira borrada, indício de que a foto foi feita com uma velocidade lenta do obturador. Se estivessem em movimento, as fadas também deveriam aparecer borradas na foto, certo?
Elas obtiveram duas imagens. A primeira mostrava um grupo de pequenas mulheres com asas de borboleta dançando à frente de Frances. Na outra, era Elsie quem brincava com um gnomo. A história correu o país e ganhou um defensor famoso: o escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Espiritualista fanático, ele não hesitou em tratar as aparições das fadas como autênticas, ignorando falhas evidentes nas imagens. A primeira foto, por exemplo, mostra quatro fadas dançando e tocando flautas. No fundo aparece uma cachoeira borrada, indício de que a foto foi feita com uma velocidade lenta do obturador. Se estivessem em movimento, as fadas também deveriam aparecer borradas na foto, certo?
Ao longo das décadas seguintes, as protagonistas da história deram explicações evasivas sobre as curiosas imagens. Até que Elsie, já idosa, admitiu ter desenhado as fadas inspirada nas ilustrações de um livro infantil. Assim como a prima, no entanto, ela continuou afirmando que ambas realmente viram fadas, só não tinham como provar daí a idéia de forjar as imagens.
Ruídos do outro mundo
Em 1848, duas irmãs que viviam em um lugarejo próximo a Nova York Kate, de 11 anos, e Margareth, de 13 começaram a relatar a ocorrência de barulhos estranhos no quarto delas. E o mais incrível é que ambas conseguiam se comunicar com os ruídos, atribuídos ao fantasma de um comerciante que vivera na mesma casa, para a qual a família Fox havia se mudado no ano anterior. Era assim: as meninas batiam palmas e o espírito respondia com estalos. A história se espalhou rapidamente e logo atraiu todo tipo de curiosos. O caso foi investigado sem que ninguém pudesse classificá-lo como fraude: os ruídos pareciam mesmo vir do além.
Quatro décadas se passaram até que Margareth decidiu confessar a fraude e o fez em uma demonstração pública, presenciada por dezenas de espectadores, em 1888. Ela revelou que os ruídos eram resultado de uma estranha habilidade das irmãs: estalar as juntas dos dedões dos pés, que se mexiam quase imperceptivelmente.
Truques do homem do rá!
O mineiro Thomaz Green Morton, o homem do rá! (seu grito energizante), ficou famoso nos anos 80 como um paranormal capaz de produzir luzes, entortar talheres e fazer perfume brotar das mãos, poderes que teria desenvolvido aos 12 anos, depois de ser atingido por um raio enquanto pescava. Aclamado por alguns como o maior paranormal do mundo, ele atraiu uma legião de personalidades para o seu sítio em Pouso Alegre (MG). Gal Costa, Elba Ramalho, Ivo Pitanguy, Baby Consuelo e Sérgio Reis estavam entre os que não hesitavam em testemunhar sobre as façanhas do guru. No auge da fama, consta que ele chegou a cobrar 20 mil dólares por cinco dias no seu sítio para tratamento de energização.
Hoje, estudiosos de fenômenos paranormais não têm dúvida de que Morton não passa de um ilusionista e nem é dos melhores. Ele é uma farsa, afirma o psicólogo Wellington Zangari, coordenador do Inter Psi (Grupo de Estudo de Semiótica, Interconectividade e Consciência), ligado à PUC de São Paulo. Morton diz ter todos esse poderes, mas jamais conseguiu demonstrá-los a pesquisadores com conhecimento de ilusionismo e prestidigitação, diz Zangari.
Morton já foi flagrado diversas vezes, inclusive em frente às câmeras. Uma das imagens o mostrou em volta de uma mesa com amigos, segurando um garfo quebrado. Enquanto pedia aos presentes que dissessem um número de 0 a 100, ele buscou embaixo da mesa um talher já colado em câmera lenta, o movimento era claro. De repente, gritou o famoso rá! e deu o garfo colado a quem supostamente teria acertado o número.
Em outra ocasião, um flash de máquina fotográfica escondido embaixo da mesa disparou antes da hora, revelando o truque usado para produzir os fenômenos luminosos. Morton ficou visivelmente desconcertado e tentou atrair a atenção dos presentes para outro ponto, afirmando que a luz havia vindo de lá. Houve também a cena em que ele passou um punhado de moedas de uma mão para a outra e exibiu, ao final, uma das moedas dobradas o problema é que na mão de origem havia oito moedas e na mão de destino apareceram nove.
Apesar das evidências, ainda há quem consiga encontrar fatos inexplicáveis relacionados aos supostos poderes de Morton, como, por exemplo, a protuberância na testa que parece se inchar de vez em quando. Isso pode ser feito com um sistema simples de sucção, como aquelas bombas usadas para extrair leite materno, ou pela utilização de alguma substância química que produza reação alérgica, diz Zangari. Para dar uma última oportunidade a Thomaz Green Morton que anda um tanto recluso já faz algum tempo , Zangari lança um desafio público: que ele se submeta a testes na sede do Inter Psi, com a presença de jornalistas e de equipes de TV.
Dois nomes, duas fraudes
A francesa Marthe Béraud iniciou sua carreira de médium em 1906, aos 19 anos. Após a morte do noivo, filho de um influente general, ela foi viver com os ex-futuros sogros na Argélia. Lá começou a se dizer capaz de materializar um fantasma. Nas apresentações, que atraíam representantes da alta sociedade, a figura de um homem com uma densa barba negra e ostentando um turbante surgia entre as cortinas que separavam Marthe da platéia. A aparição dizia se chamar Bien Boa, um hindu que teria vivido mais de 300 anos antes. Apesar dos detalhes quase cômicos (certa ocasião, a longa salva de palmas acompanhada de gritos de bravo! fez Bien Boa reaparecer de trás das cortinas para reverenciar o público), a credibilidade das apresentações só ruiu quando um cocheiro árabe chamado Areski revelou que era ele quem fazia o papel do hindu. Um alçapão oculto seria o truque para entrar em cena. Os defensores de Marthe alegaram que Areski estava mentindo para se vingar por ter sido demitido. De qualquer forma, a denúncia obrigou Marthe a sair temporariamente de cena.
Alguns anos depois, Marthe reapareceu em Paris, ostentando então o nome Eva Carrière ou, como gostava de ser chamada, Eva C. As aparições de Bien Boa deram lugar a uma nova habilidade: materializar imagens de rostos humanos. Em processos novamente realizados em ambientes escondidos por cortinas, as imagens surgiam grudadas no pescoço ou no cabelo de Marthe. As fotografias das sessões de Eva C. causaram sensação no período entre 1909 e 1913. Aos olhos de hoje, contudo, soam até ingênuas as materializações eram visivelmente feitas de papel amassado.
A fraude de Eva C. começou a ser desmascarada quando alguém notou que os rostos eram muito parecidos com os de fotos publicadas na revista Le Miroir, grosseiramente retocadas. Mesmo com todas as evidências, seus defensores ensaiaram uma explicação: ela era leitora assídua da revista e isso teria influenciado o seu dom paranormal.
O fantasma de Columbus
Em 1984, alguns fenômenos estranhos ruídos inexplicáveis, objetos que caíam sozinhos, móveis que se arrastavam pelo chão começaram a ocorrer na casa de Tina Resch, uma adolescente de 14 anos de Columbus, no estado americano de Ohio. A imprensa passou a cobrir o caso, logo chamado de O poltergeist de Columbus em alusão ao filme Poltergeist, que fizera sucesso dois anos antes. Com a casa dos Resch cercada por jornalistas, a câmera de uma equipe de TV captou por acaso uma cena em que Tina gritava com horror ao ver um abajur se espatifar no chão. Parecia que o objeto tinha caído sozinho, mas a imagem mostrava que, na realidade, a garota havia discretamente puxado o fio do abajur.
A descoberta da fraude revelou um drama familiar. Tina era adotada pelo casal John e Joan Resch e quis chamar a atenção da mídia para encontrar seus pais verdadeiros. A história teve um final triste. Os verdadeiros pais de Tina nunca apareceram. Antes de fazer 20 anos, ela se envolveu com um rapaz e engravidou. Em 1992, a pequena Amber, de 3 anos, foi encontrada morta com vários ferimentos na cabeça. As investigações incriminaram Tina e, em 1994, ela foi condenada à prisão perpétua.
terça-feira, 18 de junho de 2013
O triângulo da fraude
Fraude é o ato de lesar alguma pessoa ou organização em busca de beneficio próprio. Podemos dizer que trata-se de um desvio de conduta no intuito de causar prejuízo ao próximo obtendo com isto algum tipo de vantagem ou então pelo simples desejo de prejudicar alguém.
As fraudes, de todos os tamanhos, acontecem diariamente nos mais diversos tipos de organização do mundo, podendo variar desde um pequena mentira ou omissão, até situações extremamente complexas e bem planejadas que podem acarretar em prejuízos gigantescos, de diversas naturezas, aos lesados.
Provavelmente os mesmos desvios de caráter que induzem um individuo a realizar uma pequena fraude, quando potencializados, podem ser os responsáveis por motivar um criminoso a cometer um grave delito.
Mas afinal, quais seriam os fatores capazes de estabelecer condições favoráveis para a realização de alguma fraude ???
Em 1973 Donald Cressey, Ph.D. em criminologia pela Universidade de Indiana e grande estudioso dos crimes financeiros nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria do “triângulo da fraude” (fraud triangle), onde segundo ele se fazem necessários três componentes básicos para que uma determinada fraude possa ocorrer: Motivo, técnica e oportunidade.
O primeiro componente diz respeito ao motivo que leva o fraudador a cometer o delito. O ser humano tem uma capacidade imensa de julgar situações onde sua conduta foi equivocada e buscar uma justificativa capaz de amenizar ou absolver o próprio sentimento de culpa. O principal perigo está em realizar o julgamento da questão e convencer-se de que o prejuízo que irá recair sobre o lesado já fora compensado anteriormente ou então que existe margem para esta compensação.
Para exemplificar podemos imaginar a seguinte situação, você foi até o supermercado e percebeu que vários produtos tiveram aumentos significativos de preço. Ao dirigir-se ao caixa e efetuar o pagamento a atendente lhe entrega o troco errado, devolvendo uma quantia maior do que deveria. Você sabe que está supostamente fraudando o estabelecimento, ou a funcionária, mas tem um bom argumento para satisfazer o seu ego, a elevação dos preços. É quase impossível acreditar que não passaria pela sua cabeça, no mínimo a hipótese de tirar vantagem da situação.
Outro componente está ligado a questões relativas a técnica, ao conhecimento específico daquilo que pode vir a ser o objeto da fraude. Quanto mais o fraudador souber a respeito de uma determinada situação, maior será a possibilidade de vir a cometer algum delito em relação a ela. Como aquele assaltante que recebeu do funcionário da empresa a informação privilegiada e sabe exatamente o horário em que o malote de pagamentos e depósitos será encaminhado ao banco, assim como quem efetuará o transporte do mesmo.
O último vértice deste triângulo está centrado na oportunidade, e talvez seja esta a possibilidade de evitar a fraude. Mesmo que um indivíduo repleto de más intenções tenha motivos suficientes, a partir de seu próprio julgamento, e disponha de amplo conhecimento do objeto do delito pretendido, ele jamais conseguirá consumar o fato se lhe faltar oportunidade.
Controles inteligentes são aqueles que visam limitar as oportunidades, evidenciando as operações que envolvam maior risco e efetuando o monitoramento periódico das mesmas.
Cabe então a cada indivíduo e a cada organização conduzir seus procedimentos com foco na gestão de riscos, atuando de forma preventiva na identificação de oportunidades que sejam capazes de submetê-los a eventuais situações de fraude.
fonte: http://www.gostodeler.com.br/materia/16240/o_triangulo_da_fraude.html
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Sites vendem diplomas falsos de universidades
Diplomas falsificados de nível superior estão sendo vendidos livremente na internet. A compra pode ser feita por qualquer pessoa – até mesmo por quem nunca cursou uma universidade. Os supostos comerciantes oferecem até certificados da área médica. Um diploma de Enfermagem, por exemplo, custa R$ 6 mil.
Em diversos sites, falsificadores prometem entregar os diplomas de curso superior em prazos de até dez dias. Dizem também que o documento entregue terá um suposto reconhecimento do Ministério da Educação (MEC) e será oficializado, com a publicação no Diário Oficial da União.
Sem saber que se tratava de uma reportagem, um atendente do site Sucesso Corp (www.sucessocorp.com.br) explicou por telefone como funciona o esquema ilegal à Rádio Estadão. É preciso enviar documentos à faculdade indicada pelo negociador e pagar 60% do valor, como sinal. Por um diploma de Pedagogia, ele cobrou R$ 4,5 mil.
“Tudo legalizado em 15 dias. Reconhecido e publicado”, afirmou. “Você vai escanear os documentos e mandar por e-mail para lá. Eles vão fazer o encaixe e mandar para o MEC. Em dois ou três dias, o MEC deu OK. Você faz 60%. Mais oito dias, sai a publicação e eu mando levar.”
Identificando-se como Marcos, o atendente também disse que há a possibilidade de o comprador escolher a universidade pela qual o documento falso será emitido. “De repente, eu posso conseguir na (faculdade) que você pretende. Como posso conseguir outra”, disse.
Em outro portal de compras e vendas, um atendente ofereceu os serviços com a promessa de entregar diplomas em todo o País. Também por telefone, o infrator garantiu à reportagem a autenticidade do diploma e disse conseguir um número de registro que dá acesso exclusivo ao histórico escolar de um aluno desistente do curso pretendido.
O homem chegou a oferecer a emissão do diploma por duas instituições de ensino superior de São Paulo. “Aí em São Paulo tem a Presbiteriana (Mackenzie) e, se for o caso, consigo pra você na Unip”, disse.
“O diploma é reconhecido e registrado e tem até o RA. Você vai poder checar dentro da própria instituição a autenticidade do que você está comprando. Tem muita gente que te vende um pedaço de papel e você não pode averiguar nada”, continuou.
Questionado se havia riscos no esquema, ele garantiu que não: “Não vai ter. Se der problema para você, com certeza eles vão chegar até mim”.
Máfia. Questionado sobre o caso, o diretor jurídico da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior, José Roberto Covac, levantou a hipótese de que diplomas originais estejam sendo usados no esquema fraudulento e de que haja envolvimento de funcionários das universidades. “Quem assina o diploma é o reitor. Quando a universidade faz o registro do diploma, ela verifica todo o registro acadêmico do aluno. Parece que há uma máfia e que alguém de dentro da universidade está fabricando documentação e registro. E o reitor acaba até assinando o diploma sem ter conhecimento”, disse.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie afirmou por nota que repudia a comercialização de diplomas. A instituição diz que o processo seria “praticamente impossível de ser realizado dentro da universidade”, por causa do número de setores e profissionais envolvidos na diplomação dos alunos.
Também citada pelo fraudador, a Universidade Paulista (Unip) afirmou que “os sistemas adotados pela instituição inviabilizam o esquema de confecção de diplomas a não formandos”. A Unip disse que pretende procurar a Polícia Civil para requerer a instauração de um inquérito para investigar a identidade de possíveis criminosos e a forma de atuação deles.
Sobre a suposta ajuda que os fraudadores mencionam ter na confecção dos diplomas, a assessoria de imprensa do MEC disse que as universidades são “inteiramente responsáveis” pelo documento e “não cabe ao MEC parte alguma no processo”.
Texto extraído do site da Folha: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,sites-vendem-diplomas-falsos-de-universidades,992592,0.htm
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