terça-feira, 18 de junho de 2013

O triângulo da fraude


Fraude é o ato de lesar alguma pessoa ou organização em busca de beneficio próprio. Podemos dizer que trata-se de um desvio de conduta no intuito de causar prejuízo ao próximo obtendo com isto algum tipo de vantagem ou então pelo simples desejo de prejudicar alguém.

As fraudes, de todos os tamanhos, acontecem diariamente nos mais diversos tipos de organização do mundo, podendo variar desde um pequena mentira ou omissão, até situações extremamente complexas e bem planejadas que podem acarretar em prejuízos gigantescos, de diversas naturezas, aos lesados.

Provavelmente os mesmos desvios de caráter que induzem um individuo a realizar uma pequena fraude, quando potencializados, podem ser os responsáveis por motivar um criminoso a cometer um grave delito.

Mas afinal, quais seriam os fatores capazes de estabelecer condições favoráveis para a realização de alguma fraude ???



Em 1973 Donald Cressey, Ph.D. em criminologia pela Universidade de Indiana e grande estudioso dos crimes financeiros nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria do “triângulo da fraude” (fraud triangle), onde segundo ele se fazem necessários três componentes básicos para que uma determinada fraude possa ocorrer: Motivo, técnica e oportunidade.

O primeiro componente diz respeito ao motivo que leva o fraudador a cometer o delito. O ser humano tem uma capacidade imensa de julgar situações onde sua conduta foi equivocada e buscar uma justificativa capaz de amenizar ou absolver o próprio sentimento de culpa. O principal perigo está em realizar o julgamento da questão e convencer-se de que o prejuízo que irá recair sobre o lesado já fora compensado anteriormente ou então que existe margem para esta compensação.

Para exemplificar podemos imaginar  a seguinte situação, você foi até o supermercado e percebeu que vários produtos tiveram aumentos significativos de preço. Ao dirigir-se ao caixa e efetuar o pagamento a atendente lhe entrega o troco errado, devolvendo uma quantia maior do que deveria. Você sabe que está supostamente fraudando o estabelecimento, ou a funcionária, mas tem um bom argumento para satisfazer o seu ego, a elevação dos preços. É quase impossível acreditar que não passaria pela sua cabeça, no mínimo a hipótese de tirar vantagem da situação.

Outro componente está ligado a questões relativas a técnica, ao conhecimento específico daquilo que pode vir a ser o objeto da fraude. Quanto mais o fraudador souber a respeito de uma determinada situação, maior será a possibilidade de vir a cometer algum delito em relação a ela. Como aquele assaltante que recebeu do funcionário da empresa a informação privilegiada e sabe exatamente o horário em que o malote de pagamentos e depósitos será encaminhado ao banco, assim como quem efetuará o transporte do mesmo.

O último vértice deste triângulo está centrado na oportunidade, e talvez seja esta a possibilidade de evitar a fraude. Mesmo que um indivíduo repleto de más intenções tenha motivos suficientes, a partir de seu próprio julgamento, e disponha de amplo conhecimento do objeto do delito pretendido, ele jamais conseguirá consumar o fato se lhe faltar oportunidade.

Controles inteligentes são aqueles que visam limitar as oportunidades, evidenciando as operações que envolvam maior risco e efetuando o monitoramento periódico das mesmas.

Cabe então a cada indivíduo e a cada organização conduzir seus procedimentos com foco na gestão de riscos, atuando de forma preventiva na identificação de oportunidades que sejam capazes de submetê-los a eventuais situações de fraude.


fonte: http://www.gostodeler.com.br/materia/16240/o_triangulo_da_fraude.html

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