sábado, 4 de janeiro de 2014

Além do Triangulo de Cressey: Anatomia da Fraude

A fraude no ambiente corporativo é a que me interessa nesse artigo. Diria mais precisamente, um tipo de fraude que se batizou de Fraude Corporativa. Esta fraude ocorre quando o indivíduo utiliza sua posição, seu cargo na empresa (bem como seus acessos e conhecimentos dos processos e controles) para perpetrar uma fraude; é claro que ele pode contar com ajuda externa para o seu intento, e em muitos casos isso ocorre. Essa tipologia de fraude é a que mais comumente vemos na TV e nos noticiários, onde sempre tem mais de um envolvido: Casos como o da Enron, Walmart e Banco PanAmericano são ótimos exemplos.

Mas o que leva alguém a pensar em perpetrar uma fraude e como pensa em fazê-lo? Para responder a estas perguntas, vamos analisar um dos vários trabalhos desenvolvidos por um criminologista americano, escrito na década de 50 em sua tese de doutorado: Donald Cressey escreveu na ocasião o que se convencionou chamar de "O Triangulo da Fraude":



Segundo o trabalho de Cressey, as fraudes ocorrem com os três vértices do triângulo atuando de forma harmônica. Vejamos:

Pressão/Motivação:
Por uma pressão ou motivação, o potencial fraudador é “tentado” pouco a pouco para encontrar a oportunidade que possa acabar com a pressão/motivação que o move. Essa pressão pode vir de várias formas, e pode não ser a financeira a principal delas. Existem diversos casos que essa pressão se manifesta por uma cobrança exagerada por produtividade ou por resultados, fazendo com que o potencial fraudador sinta-se pressionado a agir, e pode não haver ganho financeiro nessa atuação; mas a fraude a ser perpetrada pode trazer impactos operacionais e até financeiros para a companhia. Alguns exemplos de pressão podem ser:

• Dificuldade para pagar uma(s) conta(s);
• Vicios em droga ou jogo;
• Desejo de símbolos de status como uma casa ou um carro melhor.

Oportunidade:
Em nossa ótica da fraude ocupacional, esse potencial fraudador começa por procurar oportunidades na empresa onde ele possa perpetrar a fraude. Ele vai atrás de onde não existem controles, ou onde os controles internos são frágeis para poder agir com segurança e se dar bem. A oportunidade interna é proporcionada pela empresa pela ausência das melhores práticas com relação ao risco de uma fraude. Entre tantos aspectos, a falta de uma área estruturada de Segurança da Informação, de uma área de Controles Internos, de Risco Operacional e de Auditoria Interna facilitam a vida dos fraudadores.

Racionalização:
Os fraudadores muitas vezes iniciam com pequenos roubos ou falsificações e gradualmente aumentam em tamanho e frequência. Alguns exemplos de Racionalização podem ser:

• A pessoa acredita que cometer fraude é justificado para salvar um membro da família que esteja doente;
• A pessoa, por causa de uma insatisfação no trabalho (salário, ambiente, tratamento recebido pelos gerentes) acredita que alguma coisa é devida a ele pela empresa;
• A pessoa é inapta para entender ou não se importa com as consequências de suas ações ou de aceitar noções de decência e confiança.

Baseado nos estudos de Cressey, toda e qualquer organização hoje em dia tem pessoas com pressões e motivações suficientes a cometerem uma fraude. Resta a organização criar mecanismos para mitigar esses riscos.

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